Monday, August 09, 2010

Thursday, March 18, 2010

After Forever no Brasil

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Tarja Turunen - ex-vocalista do Nightwish

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Saturday, March 13, 2010

HOMENAGEM AO CARTUNISTA GLAUCO, MORTO EM 12 de março de 2010




Sunday, January 24, 2010

Novos Contos

Segue abaixo um dos três contos escritos por mim, sendo dois deles enviados a um concurso literário e esse, em especial, havia sido guardado em meu pc, por se tratar de um tema que vai do fantástico, passando pelo terror e com um flerte com as histórias dos super-heróis. Sei que não está bem escrito, ele não passou por revisões como os outros dois, mas quero compartilhar com quem se aventurar em meu blog.

Boa diversão!

Gladson Pendragon

Ave César, Aqueles que estão a ponto de morrer saúdam você*

Nada é como dizem ser...não tem luz no fim do túnel, você não ouve vozes de entes queridos chamando, nem cantos gregorianos ao seu redor. Também não tem um sádico de toga julgando seus pecados, ou nove círculos de condenados semelhante a uma boate fetichista gótica-masoquista, onde os proprietários se divertem causando dor e os frequentadores se assumem como masoquistas hardcore splatterpunks.

Existe um nada. Apenas escuro. Tente não pensar em nada. Um vazio, uma não-possibilidade de suas faculdades mentais. O que aconteceu comigo logo após foi um misto de memórias retornadas e descrições feitas pela minha colega de genética alterada, Madelyne Phoenix.


Minha última lembrança foi uma discussão causada por outsiders no Torture Garden, lembro que empurrei minha companheira daquela noite para o chão e senti um frio percorrer minha espinha. Madelyne me disse que foi um disparo de uma arma calibre 38, feita por um dos frequentadores não-assíduos que encrencaram com Buffy, ao descobrir que ela tinha entre as pernas algo maior do que o dele. O que ele esperava encontrar no Torture Garden? Bem, para meu azar, o disparo atingiu meu coração e logo tudo aquilo não importava mais, meu corpo foi retirado do local pelo Instituto Médico Legal e levado para suas gavetas no necrotério.


Passaram vários meses desde esse dia e até hoje não entendo como funciona essa capacidade de Madelyne saber quem vai retornar. Aliás, suas capacidades são tão estranhas quanto o fato de sermos retornados, criaturas que possuem um gene alterado capaz de nos trazer do escuro poço da morte e ainda nos dar um presente amaldiçoado: dependendo de como morremos, nosso gene nos dá novas possibilidades, novas habilidades. Somos mais ou menos como aqueles mutantes do cinema, com a diferença que eles estão vivos (tecnicamente) e nós tecnicamente estamos mortos. Eu disse amaldiçoado porque nossas capacidades sobre-humanas tem um efeito colateral: toda vez que usamos nossa energia se vai, um gráfico que pouco a pouco vai caindo nossa força vital junto com seu uso. Quanto mais usarmos, mais rápido voltamos pro túmulo. E, até onde sei, não haverá um segundo retorno se isso ocorrer.


Seu solilóquio foi interrompido por Madelyne, ao avistar o alvo de sua caçada:
- Adam, aquela garota dentro do caixão sendo carregado para dentro do cemitério é Verônica. Morreu em um bizarro acidente de automóvel onde sua cabeça foi separada do corpo. Horas atrás o agente funerário prendeu sua cabeça ao corpo com um fio de metal para velar o corpo com o caixão aberto. Mal sabe ele que isso fará retornar a garota de seu sono mórbido.
 Tem certeza que ela voltará? Não quero ser perseguido por policiais por roubo de cadáver! Diz Adam, o retornado capaz de regenerar seus tecidos, órgãos e ossos em questão de minutos.
 Absoluta. E não precisaremos roubar nada, em alguns minutos ela levantará do caixão e demonstrará suas capacidades perante todos. Desconfio que sua forma de morrer tenha algo a ver com isso.


Ao terminar de dizer isso, Madelyne, confortavelmente situada em cima do telhado de um pequeno edifício ao lado da funerária assiste a um espetáculo dantesco, com carros se movendo alheios a vontade de seus condutores, latas de lixo de metal rolando pela rua, placas de sinalização se retorcem e candelabros do velório se chocam contra as paredes do local onde se encontra o caixão. As pessoas presentes ao sinistro fogem aterrorizadas, esquecendo momentaneamente que se encontram em um evento funerário, sem notar que o corpo, que jazia sem vida no caixão ao centro do salão se levanta e emite um grito de horror.
 Vamos, é chegada nossa hora. Ao dizer isso, Madelyne habilmente salta pela escada de incêndio do velho prédio e em poucos instantes se encontra em frente ao local do velório.
 Verônica Lee, bem vinda a sua segunda vida, retornada dos mortos. Eu sou Madelyne Phoenix, geneticista e bio-médica e o homem ao meu lado é Adam Lugosi, outro retornado. Siga-nos e terá as respostas que procura! Após ouvir o discurso de Madelyne, Verônica se movimenta em direção aos dois, como uma viciada em êxtase após uma overdose, mas certa de que era o melhor a fazer. Madelyne olha para Adam e com voz de comando ordena a ele:
 Adam, ligue para os demais. Por enquanto temos um número suficiente de retornados para nosso objetivo principal.


Terminado o breve contato, os três possuidores do gene zumbi saem do local antes da chegada das autoridades locais, deixando para trás um rastro de destruição e metais retorcidos causados pela sua mais nova companheira, Verônica Lee, uma retornada com estranhas capacidades de repelir ou atrair objetos metálicos.



Amaldiçoados

Amanhece na grande metrópole, e seus edifícios projetam sombrias formas sobre seus cidadãos, que olham as notícias dos jornais comentando os acontecimentos da noite anterior. “Agora metais também ganham vida”, diz um jornal local popularesco, referindo-se ao ocorrido e discorrendo sobre os estranhos casos dos últimos meses, onde homens e mulheres saltam dos caixões e saem caminhando na companhia de soturnos companheiros e companheiras. “30 pessoas são internadas essa semana com a frenesi do canibalismo”. Ao ler a manchete um choque percorre o corpo de Madelyne, pois ela sabe que não há mais tempo a desperdiçar. Ela olha para todos sentados ao seu redor, em um barracão improvisado nas docas para servir de laboratório e local de encontro a todos, já que nenhum deles necessita dormir.
 Verônica Lee, espero que goste do adorno de metal que esconde sua cicatriz no pescoço. Sei que a morte não retira a vaidade de nós mulheres, em esconder imperfeições. Não é mesmo Lydia? Verônica olha para uma jovem de 21 anos, que esconde o lado direito do rosto com seus longos e lisos cabelos negros.
 Peço desculpas pela maneira apressada que a trouxe aqui, mas não temos tempo nem motivo para frivolidades. Você já conheceu Adam Lugosi, o retornado que me acompanhou até seu local de velório. A menina que apontei é Lydia Ryder, nossa levitadora capaz de cruzar o país como nenhum pássaro seria capaz. Sua segunda vida veio com um acidente aéreo, assim como sua cicatriz que insiste em esconder.
 O grandalhão ao seu lado é Bóris Bava, retornado após um infarto, e ex-homem montanha levantador de pesos de um circo. Atualmente é muito mais forte do que imaginaria em sua vida anterior.
 O garotão mascarado brincando com fogo nas mãos ali é Nick Cave, foi um bombeiro que brincou demais com fogo e, da mesma maneira que você, foi resgatado por mim em seu velório e trazido ao nosso grupo, que “batizei” de Morituri. Gladiadores de Roma antes de entrar em combate saudavam César com a imortal frase 'Ave Caesar, Morituri Te Salutant'*...assim como nós, que estamos prestes a morrer.
 Eu sou...aliás eu fui, uma geneticista e bio-médica que isolou nos seres humanos o gene responsável pelas mudanças que temos observado, o qual eu chamei de gene zumbi, ou gene Z. Apenas 0,0001% da população mundial, algo em torno de 6500 a sete mil são portadores do gene. E até agora tive contato com outros treze retornados. Um deles responsável pela minha morte e ressurreição, se intitulando entre seus pares de Armageddon. Um terrorista capaz de tudo pelos seus financiadores, uma sociedade secreta que pouco ou quase nada sei. Eles se chamam argentários, e seus objetivos não estão claros para mim.
 Por que nós? O que nos faz diferentes a ponto de voltarmos dos mortos? Indaga Verônica.
 Por que não? Eu gosto de ter outra oportunidade aqui, mesmo que seja breve. Diz Adam a Verônica.
 Breve? Como assim? Pergunta Verônica a Madelyne.
 Você em sua vida anterior deve ter visto notícias sobre pessoas tomadas de um frenesi por carne e sangue humanos sendo recolhidas a manicômios judiciais. Pois bem, minha pesquisa havia encontrado a alteração no gene humano, que chamei de gene Z. Não descobri como isso ocorre, mas havia encontrado uma forma de chegar até possíveis portadores. Não é possível saber se o gene será ativado antes da pessoa falecer. Infelizmente, um financiador de minhas pesquisas era membro dessa sociedade argentária e resolveu que era hora de usar minha descoberta para seus próprios fins. Enviou três homens com ele. Eles me violentaram, fizeram minha morte parecer um caso de estupro e latrocínio e levaram minha pesquisa. Entre eles estava Armageddon. Bem, eu já previa a possibilidade de roubarem meus dados e travei minha maleta com toda minha pesquisa e um dispositivo especial. Caso alguém tentasse copiar as informações ativaria um explosivo plástico potente dentro da pasta. Os três morreram com a explosão, mas Armageddon, por um desses acasos do destino é um gene Z, e antes de morrer conseguiu ler o suficiente do que pesquisei para saber como buscar retornados para sua causa.
 O que Madelyne quer dizer é que Armageddon tem incentivado pessoas a se matar para ativar o gene. Acontece que de cada 100 possíveis portadores, apenas um retorna. Completa Nick, enquanto usa suas habilidades para acender um cigarro com fogo saindo de sua palma direita.
 Ao todo, identificamos sete seguidores do maldito assassino. Gerard, que se matou dentro de um congelador industrial; Edmund, um motoqueiro e criminoso de segunda que quebrou o pescoço em uma perseguição policial; um saqueador de relíquias submarinas que se afogou voluntariamente, chamado Ian; uma condessa psicopata chamada Carroll de Nerval morta em uma explosão; desses quatro temos uma idéia de qual sejam suas habilidades, em vista da forma como morreram. Há também Eerie, enterrado vivo por Armageddon, um serial killer com prazer mórbido em matar pessoas, e Glenda uma maníaca-depressiva que cortou os pulsos para seguir seu mestre do terror.
 Você disse que eram sete seguidores de Armageddon. Falta um, não? Diz Verônica a Madelyne.
 Adam, você foi o primeiro a encontrar Septimus. Deixo que fale por mim.
 Septimus Burke é o responsável pela onda de retornados devoradores de pessoas que assola a cidade. Violento e mortal, ele escolheu suicidar-se com a picada de uma de suas serpentes, uma mamba negra. Caçador nato, decidiu experimentar o sangue e a carne de seres humanos, buscando portadores de genes Z da forma mais brutal conhecida pelo homem: o canibalismo.
Ao fazer isso, teve duas descobertas que mudaram o quadro atual: apenas alguns portadores do gene Z retornam como nós, mas todos eles, ao entrar em contato com a saliva de um retornado voltam a vida, mas como monstros devoradores de carne e sangue humanos, sem consciência de seus atos. Seu número poderá variar de 100 mil a um milhão e o restante da humanidade é gado para eles. Assim como nós, eles tem um tempo de existência limitado, mas Septimus descobriu ao se alimentar de seres humanos que isso retarda seu fim. Ao contrário de nós retornados com o gene ativo, eles não possuem nenhuma capacidade extraordinária, mas também não se desgastam rapidamente como você poderá observar ao usar seus talentos.
 Você está dizendo que ao usarmos essas habilidades apressamos nossa volta ao túmulo? Como sabe disso? Pergunta Verônica, com um misto de espanto e medo.
 Por que antes de vocês, eu encontrei com outros retornados e houve um confronto entre meus três falecidos amigos e os dois seguidores de Armageddon. Todos morreram em seguida, pois usaram toda sua força. Aparentemente Armageddon se preserva e não se expõe mais, pois não sabe a extensão do uso de carne e sangue humanos para estender sua vida maldita. Quanto a mim, como minhas habilidades são mentais, faço uso de pouca energia para ativá-las. Dos oito primeiros, restaram Armageddon, eu e Septimus, que se chama assim por ter sido o sétimo retornado. Sua voracidade e neurose em sobreviver a qualquer custo tem causado esse enorme transtorno de mortos-vivos pela cidade. Temos que eliminá-lo e evitar que Armageddon mate mais uma jovem, chamada Ingrid Pitt.


Ave Nêmesis, Morituri te salutant



As gotas de chuva caem pelo beiral, sendo sorvidas suavemente pelas frestas do velho edifício, enquanto suas faculdades mentais vão levemente deixando sua energia vital se esvair pelo uso demasiado das drogas controladas que tomou em excesso. “Poderia ter feito isso lá fora, sentindo a chuva cair sobre o que me resta de vida ao invés de apenas ouvi-la aqui dentro”, Ingrid Pitt reflete enquanto seus batimentos cardíacos caem vertiginosamente.
Ela não percebe que alguém observa seu suicídio, sorrindo levemente por não precisar convencê-la a partir, mas com um misto de decepção por não poder se deliciar com o sangue da bela jovem, um hábito grotesco que Septimus adquiriu nas últimas semanas e traz grande prazer ao demônio desmorto.
O impacto do golpe chega ao mesmo tempo em que o som aos seus ouvidos, arremessando a criatura sádica contra a parede. O agressor, Boris Bava cresce em fúria e tamanho a sua frente.
 Levante-se para que eu possa terminar de quebrar seus ossos, besta insana! Grita Bóris. Enquanto diz essas palavras, Adam se coloca com o pé direito sobre o pescoço de Septimus, Nick se encontra do lado de fora, em campana, e Lydia levita até o segundo andar onde está o apartamento de Ingrid, levando consigo Madelyne e Verônica pelas mãos.
 Verônica fique aqui comigo. Vamos ver se podemos salvar a garota de sua decisão inconsequente. Diz Madelyne enquanto mede a pulsação de Ingrid.
Lá fora, uma massa de ar frio em forma de névoa se aproxima dos combatentes, mas Nick aquece o ar ao redor do local impedindo que ela obstrua a visão de todos. “Gerard deve estar perto”, pensa Nick.
Lydia que estava do lado de fora do apê, sente um pavor irracional percorrer seu corpo, como se toda sua vida anterior fosse pautada por uma fobia aérea. Ao se virar, percebe que está sendo tocada pelas mãos de Eerie Danzig, um empata retornado. Ele se regojiza com a tortura mental que inflige sobre Lydia.
Dentro do apê, Adam é atingido por um golpe invísivel, realizado na verdade pelo veloz Edmund, movendo-se rápido demais para os olhos de Adam e Bóris perceberem sua presença. Ao derrubar momentaneamente Adam, Septimus salta em direção a Bóris tirando seu centro de equilíbrio e jogando os dois pela janela em direção a escada de incêndio.
 Se afastem da garota ou explodirei suas cabeças. Diz a Condessa Carroll De Nerval, olhando Verônica e Madelyne.
 Deixe ela comigo Madelyne. Veja o que pode fazer pela menina.
 Tome cuidado com a Condessa, Verônica. Sua crueldade supera em muito suas ameaças. Verônica se levanta com uma agilidade impressionante para quem estava morta até horas atrás, e com um gesto de suas mãos, objetos de metal em todo o apartamento se movem em direção da Condessa como petardos mortais. Ela explode a maioria, mas o que resta é suficiente para deixá-la fora de ação.
 Excelente Verônica. A menina não tem mais salvação. Já estava morta quando chegamos aqui, mas tenho quase certeza que seu gene Z irá se ativar em instantes. Ela tem um gene poderoso, possivelmente tão forte quanto o gene de Armageddon. Enquanto fala isso, Madelyne ajoelhada segura em seus braços a menina Ingrid, em processo de retorno pelo gene zumbi.
Na escada de incêndio, a brusca aparição de Bóris e Septimus se digladiando fez com que Eerie perdesse o contato com Lydia. Em um golpe de ódio e frustração por perder o controle sobre si, Lydia levanta Eerie sobre sua cabeça e arremessa o retornado doentio dois andares abaixo, tirando-o de ação.
A fechadura da porta do apê é girada e um homem de meia idade entra no local e pára, estarrecido com a cena que observa. Sua filha caída no chão, nos braços de uma mulher estranha; dois homens que mais parecem feras do lado de fora da janela do apê de sua filha; uma criatura se movendo como um míssil ao redor de um homem que parece não se importar com as agressões que sofre; e uma mulher caída no chão a sua frente enquanto outra o observa.
O velho policial tira sua arma e dispara no primeiro alvo que vê a sua frente. Infelizmente para Verônica, ela é o alvo a vista, mas o disparo acerta apenas seu ombro esquerdo.
 Pai...A primeira visão de Ingrid ao voltar do mundo dos mortos é seu velho pai policial com a arma em punho, reagindo para proteger sua filha do que considera uma agressão.
Aproveitando a confusão momentânea, a sádica Condessa faz a arma de Thomas Pitt explodir em sua face, matando o dedicado pai e policial, sem que sua filha possa esboçar uma reação imediata.
 Nãããããõooooo!!! Junto com o grito de desespero da jovem, ao olhar a morte de seu pai o incidente dispara suas capacidades incipientes e aqueles que seriam o Nêmesis do grupo Morituri são atingidos por uma imensa massa de energia telecinética que arremessa todos a quilômetros dali, sem se importar com cabos de transmissão de energia, paredes ou qualquer objetos no caminho. Em seguida, a jovem desmaia nos braços de Madelyne. Ela olha ao redor e diz:
 Morituri, reúnam os feridos e vamos embora. Não há nada mais a fazer aqui.



Epílogo

Ingrid desperta do choque e olha a sua volta o quartel-general daqueles que foram salvá-la e acabaram salvos pelas novas habilidades da jovem. Na cama ao seu lado está Verônica, alimentada por sangue retirado de bancos de doação.
 Não se preocupe. Em breve você e Verônica estarão prontas para os próximos desafios. Eu sou Madelyne e você é bem vinda se quiser ficar conosco, Ingrid.
 Irá gostar de sua nova vida, menina. Não precisa mais dormir, não precisará comer, e terá todo o tempo do mundo para fazer o que gosta. Pelo menos até suas forças se esgotarem...
 Não ligue para o que Adam diz, ele é um retornado que não perdeu o hábito de tentar pegar todas as garotas que conhece. Diz o gigante Bóris em pé ao lado de Ingrid, com um sorriso tão grande quanto seu tamanho.
 B-bem, acho que até saber mais o que acontece, e-eu vou ficar aqui. Eu havia lido nos jornais sobre pessoas como vocês, mas não acreditava muito em tudo que lia...comenta uma reticente Ingrid.
 Bem, somos portadores do gene zumbi, mas diferente dos demais retornados presos pelos federais que ouviu falar ou leu em jornais, temos total controle sobre o que fazemos e não nos interessamos em aumentar nossa longevidade às custas de inocentes, como o grupo de Armageddon que matou seu pai. Ao dizer isso, Nick percebe a tristeza no olhar de Ingrid e se afasta da menina.
 Nick, Bóris e Adam! Até Lydia se recuperar do ataque psíquico e Verônica e Ingrid terem condições de nos acompanharem, vocês ficarão responsáveis pela segurança do local! Eu ficarei ausente por três ou quatro dias, mas devo retornar até terça-feira! Terminada a conversa, o grupo se dipersa pelo imenso armazém da doca 07. O sol começa a se pôr em mais um dia na cidade maldita.
Na cobertura do mais alto prédio da metrópole, um homem soturno, vivendo sua segunda vida olha o pôr do sol em alto mar, enquanto seus negros pensamentos revolvem sua mente perversa.
 Eu substimei o pequeno grupo Morituri de Madelyne, mestres argentários. Mas isso é algo que não ocorrerá, pois Thundar Armageddon não comete o mesmo erro duas vezes.
 E nenhum outro erro, esperamos. Diz o executivo sentado na ponta da mesa, encoberto por sombras como se fizessem parte de seu corpo e alma. Ao seu redor, dispostos pela mesa do amplo salão, 28 membros da sociedade mais fechada e poderosa do planeta conspira em um mundo novo, com pessoas que se levantam dos mortos e mortos que demonstram habilidades extraordinárias.
 E os demais membros da sua “força” Nêmesis? Pergunta o executivo à Armageddon.
 Glenda Von e Ian Thesiger foram chamados para substituir a Condessa e Edmund. Perdas aceitáveis. Gerard escapou ileso, Septimus Burke e Eerie Danzig estarão prontos para o próximo movimento em nosso jogo de xadrez cósmico, senhores. Ao terminar de dizer isso, Armageddon aperta contra os lábios um coração ainda quente, se alimentando do sangue jovem que escorre das artérias abertas. Um novo jogo se inicia.

Saturday, January 02, 2010

Reportagem Educativa

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Monday, November 16, 2009



Segue abaixo, em meu post anterior, um conto literário escrito por mim para um concurso da editora guemanise, o link aqui é para os classificados nessa fase do concurso - http://www.guemanisse.com.br/content/view/148/1/

Ódios primitivos

Houve um tempo em que os seres das trevas e os homens da Lua cheia eram como irmãos, trazidos do mesmo ventre de nossa mãe Gaia, feitos imagem e semelhança do primeiro homem posto aqui pelo grande Deus Baal e sua consorte Lilith, que por vezes foi erroneamente vista como esposa do homem adâmico.

Contam as lendas que Kain, aquele que lavrava a terra e retirava seu sustento das matas virgens, teve um irmão mais novo, chamado Eibel, aquele que se alimentava da carne e do sangue dos animais que criava. Eibel e Kain ofereciam a Baal e Lilith suas oferendas como deve ser feito a todos os deuses, grandes ou pequenos, mas Lilith, aquela que tem a noite como véu e as estrelas como adornos em seus negros cabelos, preteria a oferenda da terra feita por Kain, pois se deleitava no sangue do cordeiro derramado.

Vendo que sua consorte apreciava a oferenda de Eibel, Baal o deus da montanha glorificava o pastor, primogênito de uma raça se isso já não fosse o suficiente para aumentar a escuridão no coração ciumento de Kain.

Em sua negra alma, Lilith almejava a adoração dos descendentes de Eibel e nada fazia para diminuir a dor de Kain. Ao contrário, estimulava o ódio que consumia as entranhas do primogênito, que via em sua mente um caminho maldito para tomar para si o pedestal que cada espécie busca na corrida da evolução planetária.


Ao raiar do sétimo dia, o primeiro da Lua Cheia, Kain sai ao campo e convida seu jovem e orgulhoso irmão a acompanhá-lo, para mostrar a ele a terra que herdarão. Ao chegar ao fundo de um vale sombrio, Kain deixa o sangue de seu irmão correr na terra, ao cravar uma estaca em seu coração traiçoeiramente.

Ao fim do dia, sobe ao monte do altar e entrega à bela Lilith o coração de seu irmão como oferenda, mas Baal reconhece nas mãos do primogênito dos homens o sangue que mancha seu altar e a alma de Kain.

E disse Baal: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão está chamando a mim desde a terra. Agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para da tua mão receber o sangue do teu irmão!
Sabendo da culpa de sua consorte, Baal diz: Maldita és tu, bela como as estrelas e alma negra como a noite! Por sua causa e por tua mesquinhez nasce um ódio entre irmãos! Teu exílio será a noite. A partir de agora, jamais verá a luz novamente e as trevas serão o teu lar!
Das trevas da morte carregarás contigo Eibel, pois seu sangue derramado no chão trará descendentes malditos, que caminharão na noite e te adorarão. Não terão o descanso eterno, pois de seu orgulho veio toda desgraça, e apenas com uma lança do carvalho em seu coração deixarão de assombrar as criaturas vivas que andam sobre a terra. De seu sangue se alimentarão, mas da luz do dia não viverão jamais, seres das trevas seguidores da deusa da noite!
Quanto a ti, Kain, deixou-se dominar pelas paixões mais baixas, primitivo que és. Por isso, esconderá dos homens sua verdadeira face, para que não sejas perseguido e torturado como o monstro que tu és. Sob a luz caminharás entre os homens como igual, mas na Lua cheia deixarás a fúria sair, e mais fera do que homem te tornarás. Tua maldição será aprender a cada geração a controlar o ódio assassino do animal que escondes na alma.


Tua face marcarei para que ninguém mal te faças, e proíbo aos adoradores das trevas que de seu sangue se alimentem. Maldito sete vezes seja aquele que fizeres isso!

Dito isso, Baal expulsou-os da sua presença e jamais tornou a ser visto na Terra.



Ao terminar de contar sua história, o ancião bebeu o último gole do copo a sua frente, batendo com o fundo sobre a mesa de madeira de lei, como a chamar a atenção do garçom, pois o homem estava ali em corpo, mas seu espírito adormecia nos domínios de Orpheus.

O jovem olhava o ancião a sua frente e pensava ter ouvido essa história, de forma diferente, mas se os personagens não eram os mesmos, o fundo moral acendia a fagulha genética da memória coletiva que todos nós carregamos do nascimento à morte.

O velho parecia não sentir o efeito que o álcool traz aos ébrios, como se o seu corpo de outra coisa que não carne e sangue fosse feito, mas todos ali conheciam bem o velho oriental e sabiam que logo ele se recolheria para sua humilde casa.

O jovem belo e arrogante rompeu seu silêncio e disse: Pois eu tenho um conto pra você velho, melhor que o seu, pois não precisa de gnomos, deuses e fadas ou estórias das mil e uma noites para torná-lo interessante.

Ao dizer isso, soturno o jovem ficou e de sua garganta uma voz sombria com tons que traziam os séculos da memória à tona começaram a narrar um fato recente se comparado à história do ancião:
Todos os integrantes de minha comunidade se reconhecem como iguais, os filhos da noite pertencem à casta privilegiada que olha de cima todos os seres que convivem conosco nesse planeta, como o criador de gado que gosta de seus animais mas não sente remorso ao abater uma rés para satisfazer sua fome.


Desde os tempos mais remotos, vivemos e satisfazemos nossos desejos, sem nunca nos incomodar com nossas ações. Escolhemos entre nossos animais de estimação àqueles que têm a honra de participar de nosso eterno círculo, homens dignos de pertencer à classe dominante da sociedade humana. Mas toda regra tem uma exceção e a nossa não é diferente. Dentro de nossos conselhos internos, onde os mais experientes e fortes ditam a observância das leis, há duas regras básicas para os filhos da noite: nunca se alimentar de uma grávida salvo com autorização expressa do conselho ou de um mestre da noite; e nunca atacar os homens da Lua cheia, o que acarretaria em uma pena capital, com a dolorosa morte por exposição maciça a luz solar.


A segunda proibição, apesar de muitos de nós nos lamentarmos por não ter total liberdade de escolha e seguirmos regras alimentares como os humanos seguem em suas religiões milenaristas era fácil de observar, pois os marcados com o sinal da besta levavam um olhar, um cheiro característico, algo difícil de explicar com palavras, mas que se traduziam em uma espécie de aversão quando nos aproximávamos da sua carne e seu sangue.

Das gestantes humanas, ninguém nos explicava coisa alguma e diziam que quando tivéssemos tempo suficiente em nossos clãs, seríamos apresentados aos mistérios que regem o Universo. Uma explicação muito cabalística eu dizia, e a tentação sempre rondava essa primeira regra, pois o sangue de uma bela grávida é algo tentador de se experimentar.

E foi por essa tentação genesíaca em nosso sangue que descobri o porquê da proibição. Foi por essa descoberta que aqui estou nesse dia, sentado nesse lugar escuro e fétido, em um bar de porto, quando deveria estar bebendo em um palácio na companhia de príncipes. Sim! Príncipes, gado como todos os outros, mas um gado refinado e culto, que traz à alma um sabor diferente por saber que temos acesso ao que há de melhor na Terra.


Você sabe o que é um hímem complacente, ancião? É uma membrana que se encontra na entrada do órgão sexual de uma mulher e não se rompe após uma relação sexual. Em outras palavras, são virgens vestais por natureza, e podem ser encontradas em diversas passagens de livros sagrados das religiões humanas ao longo da história. E é por causa delas que não podemos nos alimentar das gestantes humanas, pois apenas ao olhar para uma não é possível saber se ela é uma virgem grávida ou não.



As antigas histórias trazidas da aurora dos tempos pelos antigos seres da noite narram o final dos tempos como uma época em que uma dessas virgens vestais espera o nascimento do filho da besta, visto que para um dos marcados com o sinal perpetuar sua espécie é necessário cruzar com o gado humano e que de uma fêmea nasça um varão, para que no seu 13º aniversário o sinal da besta apareça em sua fronte na primeira noite da lua cheia. Se a fêmea humana for uma virgem, conta a lenda que um filho da Lua, mais forte e rápido que todos os outros nascerá e um ser das trevas, traidor de sua raça, cairá na tentação da virgem inocente e beberá do sangue dela e do seu filho que espera para nascer. E, ao misturar os sangues dos dois – ao sugarmos da carne de nossas vítimas o líquido precioso, deixamos parte da nossa amaldiçoada herança no cadáver sem vida – o feto, prestes a nascer, carregará consigo as duas maldições em seu espírito.

Esse varão, filho da besta, mais forte e rápido que qualquer outro antecessor, nascido de uma desmorta, carregando o sangue amaldiçoado dos seres das trevas, é visto como sinal dos tempos para os seres das trevas e homens da Lua Cheia. E o responsável por esse avatar da destruição das raças primevas foi esse que vos fala, pois na ânsia de experimentar o fruto proibido, escolhi justamente uma fêmea prestes a dar a luz, virgem até o nascimento de seu filho, herdeiro da maldição da besta e agora carregando o sangue dos seres das trevas. Antes de terminar minha refeição, ensandecido e fortalecido pelo sangue novo que corria em meus lábios, fui atacado pelo amante da humana, um jovem filho da besta que encontrou a morte pelas minhas mãos, enfraquecido que estava pela sua inexperiência e uma noite sem Lua. Seu grito chegou aos ouvidos de seus irmãos mais próximos e precisei sair do local antes de ser descoberto. Da criança nada sei, mas essas malditas criaturas têm uma estranha capacidade de farejar suas presas e por isso não posso ficar mais que alguns dias em um mesmo lugar. Desde então venho fugindo, de cidade em cidade, como um andarilho pelas estradas, um viajante pelos mares, um errante sem descanso.

Meu clã me abandonou à minha fortuna, as portas dos palácios e mansões se fecham quando passo, bestas me perseguem como um animal no campo. E tudo por uma tola lenda, uma superstição que levou minha vida nas nobres classes e tem me tornado há séculos esse errante em locais podres e sujos!

O ancião olhou o jovem com um misto de compaixão e desprezo, enquanto ele entornava seu último gole da garrafa com líquido vermelho escuro do balcão. Levantou-se em um gesto rápido para quem parecia estar ébrio há alguns minutos e convidou o jovem arrogante para saírem dali.

Dirigiram-se a porta e o velho caminhava com passos precisos, como um monge taoísta ao treinar seus sentidos e movimentos, seguido pelo vacilante jovem aristocrata. O que aconteceu com o recém-nascido? Perguntou o ancião.

Não sei, espero que tenha morrido, disse o jovem, pois se isso não ocorreu quero ter a oportunidade um dia de reencontrá-lo, se ainda estiver vivo, para poder matar com minhas próprias mãos esse maldito bastardo!

Caminharam mais um pouco, em direção a um beco escuro, o velho avançou alguns passos e falou: Fico feliz em saber isso. Quase senti compaixão pela sua desgraça, pois sua dádiva foi fundamental para todo esse conluio cósmico se desenvolver. Mas assim como poucos se compadecem com o destino dos Judas da história, e se regojizam com o machado do carrasco, assim será contigo.

O quê? Pergunta espantado o jovem ser das trevas, rosnando com um medo difícil de esconder.
Uma besta surge no lugar onde havia apenas um velho oriental, maior do que todas as bestiais que o arrogante jovem tenha visto. E assim ele descobre, em seu último suspiro o destino que levou o filho da virgem vestal e do homem da Lua Cheia.

Sunday, November 01, 2009

Tira 4

Tira 3

Tira 2

Tira 1




Cabe aqui uma breve introdução a série de tiras que começarei a publicar em meu blog e no TiraGosto a partir desse mês. Corria o ano de 2001, estava em meu penúltimo ano de faculdade e um congresso de comunicação que reuniria estudantes dos diversos cursos da área iria ser realizado em Brasília, capital do poder brasileiro, no mês de julho de 2001. Entre as temáticas do congresso, cursos e palestras, uma série de acontecimentos off-topic acabaram por pautar os jornais da época: uma competição de cannabis feita por respeitáveis estudantes de jornalismo, publicidade, relações públicas e cinema. Confesso que não me interessei pelo tema, visto que sempre fui alternativo entre alternativos do meu curso, e como a moda era participar desses eventos, preferi fazer fotografia publicitária com um mestre da área lá mesmo de Brasília, e assistir filmes alternativos e ouvir as palestras como do editor da Caros Amigos, de quem sempre fui um fã confesso.

Mas o que me chamou a atenção, além das belas garotas do curso, foi uma oficina que um amigo meu achou no evento, chamada Oficina de Espumagem. Fui lá um dia pra ver o que era e ele, em sua psicodélica inocência, decidiu fazer um chapéu que, se recordo bem, fez o maior sucesso no evento: um chapéu de vaca, inspirado naquele belo animal que nos serve o leite nosso de cada dia. Parece estranho, mas meu amigo, que nasceu e cresceu em uma chácara próxima de Ponta Grossa-PR, vem de uma família de holandeses, então quis fazer uma justa homenagem ao nobre animal.

Do alto de seu 1,90m, com um chapéu enorme de uma vaca que sempre estava com seus óculos escuros a tiracolo, uma lata de cerveja apoiada em um dos braços e um cigarro pendurado na outra, a vaca acabou servindo de símbolo da Universidade Estadual de Ponta Grossa e, duvido eu, que passados oito anos, alguém tenha esquecido do cara com chapéu de vaca do famoso congresso de jornalismo de 2001.

Espero que divirtam-se com o Foca e a Vaca!

OUTROS OLHOS


Outros Olhos, uma produção da oitava turma do curso de cinema digital da Cinemateca de Curitiba fala sobre identidades, sobre ver e não sentir, sobre sentir e não poder ver.

Clara, uma moça doente procura Heitor, parcialmente cego, solitário e rejeitado em uma redação de um jornal qualquer, escrevendo sobre obituários de forma lírica, que encantam a bela moça.


Enquanto sua estranha relação se aprofunda, uma terceira pessoa (o vigilante) vê tudo pelo olhar das câmeras do prédio, e de seu vazio existencial busca imitar o que acredita ser um cenário de vida mais rico que a solidão de sua cabine de monitoramento.

foto: Gabriela Leirias






Essa semana publico aqui uma bela sugestão de análise fílmica e, ao mesmo tempo, um guia pervertido para o cinema, como indica o título do filme-documentário. O filósofo e psicanalista do leste europeu, Slavoj Zizek, visto por aqui no Roda Viva (não tive essa oportunidade, graças a excelente grade de programação da PR Educativa, que corta programas excelentes da Cultura), e em documentários facilmente encontrados na rede ou em boas locadoras.

Nesse doc em particular, o pensador pop do momento faz uma análise com muito conteúdo e uma boa dose de humor negro, comentando sobre a forma e o conteúdo dos filmes elencados, sentado em locais chave para as obras citadas.

Seja de um barco no lago onde foi filmado “Os pássaros”, de um assento de privada, de uma escada, de um rua escura, vemos Zizek dar uma aula espetacular sobre a relação do homem com a figura paterna, com a mulher, consigo ou do ser humano e a tela do cinema.

Quem quer aprender um pouco mais sobre como se pode fazer leituras dos gigantes da direção cinematográfica, como Tarkovski, Lynch, Hitchcock entre outros, vai se regojizar com o talento de Zizek, em prender a atenção do público em assuntos tão densos com uma pitada de bom humor e um sotaque engraçado mas muito funcional em seu extenso vocabulário da língua inglesa.